Folheei com preguiça as primeiras páginas de Toda Sua, o primeiro volume da trilogia Crossfire, escrito por Sylvia Day. Poucas semanas antes do lançamento no Brasil, a prova do livro chegou à redação. Os direitos foram comprados pela editora Paralela, braço popular da Companhia das Letras. Sim, Toda Sua é mais um título que surfa na onda do pornô pop para mulheres, graças ao sucesso de Cinquenta Tons de Cinza.
O que me fez bocejar logo de cara foi reconhecer a mesma fórmula de E. L. James: uma jovem-atraente-indefesa esbarra com um bonitão-poderoso-controlador, os dois surtam de tesão e negociam o sexo para transar como se não houvesse amanhã. A diferença é que, literariamente, Sylvia Day supera James – não que isso seja um graaaande desafio.
Na terça-feira passada, debati sobre o assunto com o psicanalista Contardo Calligaris em uma confraria para livreiros de São Paulo. Para ele, as mulheres estão consumindo avidamente esse gênero porque, mais que pornografia, esses livros trazem histórias de amor.
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A história do trópico de Câncer é contada em primeira pessoa e não tem uma estrutura, mas é um longo, perturbador e brilhante fluxo de consciência, melhor de inconsciência, em que com um estilo irracional e analógico Henry conta si mesmo, aliás, vive um dia por vez, esmagado pelos acontecimentos que se sucedem sem lena arrastando tudo.
Não é um romance, mas uma coleção de histórias escritas sob comissão para um cliente conhecido como “o colecionador”. O livro foi publicado pela primeira vez em 1978 e é um clássico da literatura erótica. Para usar as palavras da autora: “O sexo não prospera na monotonia. Sem sentimento, invenções, humores, não há surpresas na cama. Sexo deve ser regado com lágrimas, riso, palavras, promessas, cenas, ciúme, todas as especiarias do medo, viagem ao exterior, novos rostos, romances, histórias, sonhos, fantasia, música, dança, ópio, vinho.” (Do prefácio do livro).
A paixão contada como poucos na literatura têm sido capazes de fazer.
Uma verdadeira pedra angular da literatura erótica mundial. Julgado escandaloso e proibido logo após a publicação (em 1885), o romance interpreta os Eros entre homem e mulher como comunhão espiritual e fusão recíproca.
Publicado anonimamente em 1791 e imediatamente censurado, Justine é a expressão máxima da tendência profanatória, perversa e destrutiva típica da tendência libertina francês. Conta as desventuras da devota e virtuosa Justine que, separada da amada irmã, se vê forçada a uma viagem iniciática no signo da libertinagem. Entre monges lascivos, personagens obscuros, aristocratas votados ao vício…
História de O de Pauline Reage apareceu nas livrarias em Paris em 1954, mas o sucesso veio na década de setenta. Conta a história da bela “O”, uma fotógrafa de moda loucamente apaixonada por Renée e disposta a fazer qualquer coisa para ele, até mesmo fazer sexo com outros e receber as piore punições e humilhações como sinal da sua submissão e do seu amor. Histoire d’O tornou-se famoso também graças aos quadrinhos de Guido Crepax.
Um clássico da literatura erótica que, depois de mais de dois séculos após a sua publicação, o que ocorreu em 1749, continua a turbar (positivamente) as novas gerações. Linda, desinibida, positiva, a jovem protagonista do livro se dedica com desinibição à celebração das alegrias do sexo, criando o primeiro exemplo Inglês de romance undergroud.
Publicado em Paris em 1967, este livro, num primeiro momento destinado a um pequeno círculo de leitores, tem rapidamente feito a volta do mundo inspirando cartunistas e cineastas, e tornando-se um dos mais famosos clássicos eróticos. Conta a descoberta voluptuosa do sexo, em todas as suas formas, pelo jovem protagonista, que se entrega o desejo, sem vergonha.